Tenho percebido, há algum tempo, que distorcemos completamente o amor, a julgar por exemplos e momentos que tenho vivenciado. A verdade é que chamamos "amor" aquele sentimento novo, induzido por alguém e cuja consequência é o prazer, o encantamento, o sorriso, o descompasso, traição/lágrimas. Uma questão puramente cultural.
Não entendemos o amor, fazemos um diagnóstico precipitado com base no senso comum, eliminamos outras possibilidades e, bem, é amor. Eis por que falo cultural. Na TV, amor é isso. Nos pagodes, amor é isso. Para os sertanejos, "cantores" de forró, amor é isso (além de sílabas freneticamente repetidas e relacionadas ao ato por meio dos quais os seres humanos se reproduzem).
Prevejamos uma pesquisa e teremos, possivelmente, quase que sem dúvidas, estes resultados, a saber: muitas crianças, por volta dos 12, dirão que já amaram; muitas delas fizeram dos pagodes, sertanejos, e forrós suas trilhas sonoras; e, por último e mais importante, pouquíssimos descreverão "amor" de outra maneira que não através da descrição que vos dei no primeiro parágrafo.
Aqui aumentamos o nível e a relevância da discussão. Em certa ocasião, alguém raciocinou e declarou que "amar é mais fácil que odiar, logo, por que não amamos?". Apesar de ter permanecido calada, discordo completamente, e sem pestanejar, da afirmação. Odiar é um zilhão de vezes mais fácil que amar: não perdoar é um bilhão de vezes mais fácil do que esquecer e seguir; culpar é um milhão de vezes mais fácil que tentar ensinar a corrigir e seguir; mentir para agradar é mais fácil que machucar dizendo a verdade, sempre libertadora. Logo, é perfeitamente compreensível que odiemos mais. Todavia, passível de compreensão não significa passível de justificativa, se é que me faço entender. Tudo porque viver com/para o/de/no amor é infinitamente difícil e, assim sendo, amar deve ser uma busca de todos os dias, horas, minutos, segundos!
O fato é que devemos, pois, pensar duas, três, mil vezes antes de nos atrever a dizer que amamos, e, particularmente, não foi fácil - e rápido - desenvolver essa percepção. O amor é algo sem dimensão e nós somos limitados (não me venha você dizer que não; sim, nós somos). Além disso, não é justo com Quem realmente nos ama ter Sua essência perfeita comparada a esse tipo medíocre de... sensação.
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