sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Se é pra falar de amor...

     Tenho percebido, há algum tempo, que distorcemos completamente o amor, a julgar por exemplos e momentos que tenho vivenciado. A verdade é que chamamos "amor" aquele sentimento novo, induzido por alguém e cuja consequência é o prazer, o encantamento, o sorriso, o descompasso, traição/lágrimas. Uma questão puramente cultural.
    Não entendemos o amor, fazemos um diagnóstico precipitado com base no senso comum, eliminamos outras possibilidades e, bem, é amor. Eis por que falo cultural. Na TV, amor é isso. Nos pagodes, amor é isso. Para os sertanejos, "cantores" de forró, amor é isso (além de sílabas freneticamente repetidas e relacionadas ao ato por meio dos quais os seres humanos se reproduzem). 
        Prevejamos uma pesquisa e teremos, possivelmente, quase que sem dúvidas, estes resultados, a saber: muitas crianças, por volta dos 12, dirão que já amaram; muitas delas fizeram dos pagodes, sertanejos, e forrós suas trilhas sonoras; e, por último e mais importante, pouquíssimos descreverão "amor" de outra maneira que não através da descrição que vos dei no primeiro parágrafo.
       Aqui aumentamos o nível e a relevância da discussão. Em certa ocasião, alguém raciocinou e declarou que "amar é mais fácil que odiar, logo, por que não amamos?". Apesar de ter permanecido calada, discordo completamente, e sem pestanejar, da afirmação. Odiar é um zilhão de vezes mais fácil que amar: não perdoar é um bilhão de vezes mais fácil do que esquecer e seguir; culpar é um milhão de vezes mais fácil que tentar ensinar a corrigir e seguir; mentir para agradar é mais fácil que machucar dizendo a verdade, sempre libertadora. Logo, é perfeitamente compreensível que odiemos mais. Todavia, passível de compreensão não significa passível de justificativa, se é que me faço entender. Tudo porque viver com/para o/de/no amor é infinitamente difícil e, assim sendo, amar deve ser uma busca de todos os dias, horas, minutos, segundos!
      O fato é que devemos, pois, pensar duas, três, mil vezes antes de nos atrever a dizer que amamos, e, particularmente, não foi fácil - e rápido - desenvolver essa percepção. O amor é algo sem dimensão e nós somos limitados (não me venha você dizer que não; sim, nós somos). Além disso, não é justo com Quem realmente nos ama ter Sua essência perfeita comparada a esse tipo medíocre de... sensação.



     

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Réplica

Sou vítima da inspiração e não respondo à altura, queridos. Não me tentem. Descrevam-me como imaginam, mas lembrem-se dos limites que a imaginação impõe.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Curto como o meu tempo. A reativar o blog e, ainda (principalmente), o costume de criticar aquilo que me incomoda.








Esta, então, vai para você que vive sob a sombra de um poeta que não conhece, como forma de escapar do que ainda não descobriu. Pelo caminho mais simples e bonito, uma tentativa de induzir a interpretação e leitura alheia. Alheia, alheia.   

terça-feira, 19 de abril de 2011

Peculiaridades, amigo

Enquanto você tenta ser perfeito, não se dá conta de que está cometendo tamanha imperfeição. Lembre-se: mesmo de pés no chão, você pode machucar alguém! Pare de olhar para si mesmo, meça suas palavras, mas não as suavize. Você não é o único nessa imensidão azul, não está sob um foco luminoso, somos muitos e buscamos o mesmo que você. Não podes lembrar o que fez, mas o que não deixou fazer. Respeite. Somos capazes de encontrar nossa direção. 
Você não vê, nós, sim. Um tripulante de um navio que naufraga não pode filmar o acontecido.   

terça-feira, 8 de março de 2011

XX

        Donas de uma beleza mista, sem igual. De um encanto inabalável. De uma resistência admirável frente aos mais terríveis desafios. Fragilidade, há muito, deixou de ser adjetivo para estas protagonistas da vida. Mas por que seriam frágeis? São elas que, desde cedo, entendem e desenvolvem a responsabilidade com seus corpos. São elas que carregam e dão ao mundo a vida, tarefa que não é para qualquer um. São elas, elas, elas.
        Encantam com vigor, amam sem barreiras. Sábias, incomodam aqueles que têm a audácia de pensar que são incapazes, provando, então, que são dignas de respeito e admiração. Arrancam força de onde desconhecem para cumprir a tarefa que lhes foi confiada por Deus. Desempenham-na com graça, majestade e excelência. No entanto, nem sempre são retribuídas, porque aqueles, para quem dedicam seu amor, são incapazes de perceber sua importância. Sofrem. Choram. Mesmo assim, continuam.
        Meu Deus, permita que reconheçam, enfim, o enorme valor destas graciosas e divinas fortalezas: as mulheres.       

Mulher

Erasmo Carlos 

Dizem que a mulher
É o sexo frágil
Mas que mentira
Absurda!
Eu que faço parte
Da rotina de uma delas
Sei que a força
Está com elas...
Vejam como é forte
A que eu conheço
Sua sapiência
Não tem preço
Satisfaz meu ego
Se fingindo submissa
Mas no fundo
Me enfeitiça...
Quando eu chego em casa
À noitinha
Quero uma mulher só minha
Mas prá quem deu luz
Não tem mais jeito
Porque um filho
Quer seu peito...
O outro já reclama
A sua mão
E o outro quer o amor
Que ela tiver
Quatro homens
Dependentes e carentes
Da força da mulher...
Mulher! Mulher!
Do barro
De que você foi gerada
Me veio inspiração
Prá decantar você
Nessa canção...
Mulher! Mulher!
Na escola
Em que você foi
Ensinada
Jamais tirei um 10
Sou forte
Mas não chego
Aos seus pés...


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Particularmente

           Estive a estimar a importância da leitura em minha vida. Cheguei à conclusão que esta prática aflorou consideravelmente minha imaginação e meus sentidos. Percebi quão gostoso é viajar quilômetros sem sequer erguer-se da cama, degustar os mais diversos sentimentos e esquecer aquela realidade rotineira, tão real!
           Como me fez bem sentir o gosto da rapadura com farinha que alimentava o garoto, castigado pelo calor, mais tarde, Justino, o orador da turma; torcer para que Helena não fosse irmã de seu amado; "hipopotear" por aí pelos tempos; esperar cair o pano e acompanhar o brilhante desfecho descrito pelo sempre digno de admiração Hercule Poirot, além de perceber traços seus, o leitor, em seu fiel escudeiro, o tão humano Hastings. Sentir-se o juíz do "Caso Capitu", a defendê-la ou culpá-la insatisfatoriamente.
           Ah! Viajar toda a Roma ao pé de Robert Langdon e seu relógio do Mickey; ser tomado pela tristeza ao imaginar o beijo tardio e póstumo pregado pela pequena ladra de palavras em seu pobre amigo; sofrer e definhar com Júlia e Luísa, a primeira, por sonhar demais, a segunda, por cair nas graças do seu primo Basílio (safado), ambas erradas, mas não menos sofredoras.
           As sensações são diversas e completas. Incríveis. Não importa a década, a história, o século, o tema. Abra a porta e deixe que as palavras e invenções de alguém adentrem!
           Enfim. Não li muitas, nem poucas histórias, mas o suficiente para concluir que estas me fascinam.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Espelho

Não há ninguém pior que você (ou possivelmente sua mãe, possivelmente) para dar uma descrição de você mesmo. Ninguém. Mesmo sem querer, o texto seria tão tendencioso e suspeito quanto a resposta de uma costureira quando perguntada se o vestido que acabara de fazer é bonito. Porque ninguém consegue de fato perceber sua própria essência. O modesto não vê o que tem de melhor. Alguém (algum adjetivo específico?), pelo contrário, vê demais até. A verdade é que a resposta para o que de fato você representa não é você quem diz, mas sim, aqueles ao seu redor. A exemplo de uma pessoa, cujo nome não lembro no momento e nem quero dar os créditos ao sujeito errado, penso que sou o que as pessoas dizem que sou. É como um espelho. Se há uma opinião formada sobre mim, mesmo que estranha ou ofensiva, certamente deve haver alguma fundamentação e, certamente também, eu posso ter dado algum motivo. Cabe ao autor da "teoria" conferir se o que pensa corresponde à realidade. Ora, se a criatura te conhece, a "teoria" tem uma grande chance de ser verdadeira embora não seja das mais agradáveis. Outrora, afirmei que era como um espelho. Pois bem, o espelho te reflete e, na maioria das vezes, não erra.