sábado, 19 de fevereiro de 2011

Particularmente

           Estive a estimar a importância da leitura em minha vida. Cheguei à conclusão que esta prática aflorou consideravelmente minha imaginação e meus sentidos. Percebi quão gostoso é viajar quilômetros sem sequer erguer-se da cama, degustar os mais diversos sentimentos e esquecer aquela realidade rotineira, tão real!
           Como me fez bem sentir o gosto da rapadura com farinha que alimentava o garoto, castigado pelo calor, mais tarde, Justino, o orador da turma; torcer para que Helena não fosse irmã de seu amado; "hipopotear" por aí pelos tempos; esperar cair o pano e acompanhar o brilhante desfecho descrito pelo sempre digno de admiração Hercule Poirot, além de perceber traços seus, o leitor, em seu fiel escudeiro, o tão humano Hastings. Sentir-se o juíz do "Caso Capitu", a defendê-la ou culpá-la insatisfatoriamente.
           Ah! Viajar toda a Roma ao pé de Robert Langdon e seu relógio do Mickey; ser tomado pela tristeza ao imaginar o beijo tardio e póstumo pregado pela pequena ladra de palavras em seu pobre amigo; sofrer e definhar com Júlia e Luísa, a primeira, por sonhar demais, a segunda, por cair nas graças do seu primo Basílio (safado), ambas erradas, mas não menos sofredoras.
           As sensações são diversas e completas. Incríveis. Não importa a década, a história, o século, o tema. Abra a porta e deixe que as palavras e invenções de alguém adentrem!
           Enfim. Não li muitas, nem poucas histórias, mas o suficiente para concluir que estas me fascinam.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Espelho

Não há ninguém pior que você (ou possivelmente sua mãe, possivelmente) para dar uma descrição de você mesmo. Ninguém. Mesmo sem querer, o texto seria tão tendencioso e suspeito quanto a resposta de uma costureira quando perguntada se o vestido que acabara de fazer é bonito. Porque ninguém consegue de fato perceber sua própria essência. O modesto não vê o que tem de melhor. Alguém (algum adjetivo específico?), pelo contrário, vê demais até. A verdade é que a resposta para o que de fato você representa não é você quem diz, mas sim, aqueles ao seu redor. A exemplo de uma pessoa, cujo nome não lembro no momento e nem quero dar os créditos ao sujeito errado, penso que sou o que as pessoas dizem que sou. É como um espelho. Se há uma opinião formada sobre mim, mesmo que estranha ou ofensiva, certamente deve haver alguma fundamentação e, certamente também, eu posso ter dado algum motivo. Cabe ao autor da "teoria" conferir se o que pensa corresponde à realidade. Ora, se a criatura te conhece, a "teoria" tem uma grande chance de ser verdadeira embora não seja das mais agradáveis. Outrora, afirmei que era como um espelho. Pois bem, o espelho te reflete e, na maioria das vezes, não erra.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tolice

         "Não era normal. Nunca faltava à aula, estudar lhe dava prazer, não gostava daquilo que atraía a multidão. Adorava conversar e, por mais que não aparentasse, essa era a raiz de seus problemas, apreciava o amor. Não tinha muitos amigos, atribuía isso a sua timidez. Aliás, a timidez era a culpada de tudo! Guardava todo e qualquer sentimento para ela mesma; confidenciava somente a Deus, que ouvia e, naturalmente, não respondia. Pobre criatura. Não sabia se deixar amar.
         Suas características, embora fossem estranhamente oscilante, na maior parte do tempo apontavam para uma fortaleza analítica e crítica. Assim, nada entrava ou saía de sua alma sem que fosse minuciosamente analisado.
         Como o tempo não pára, dias se passaram e ela sentiu que algo mudara. Sim. Cada vez que não deixava expresso aquilo que estava de fato sentindo (e não apenas o que estava pensando), seu corpo inchava. E inchou. Inchou. Até que numa tarde qualquer, como um balão cheio de ar, explodiu. Foi. Seu corpo partiu-se em pedaços pequeninos que foram espalhados pela brisa.
         Ninguém presenciou ou soube o que aconteceu, afinal, quem, além de ela mesma, conhecia a verdade?"

Moral 1: Êpa! Isso não é uma fábula.
Moral 2: Só as fábulas têm moral explícita.
Moral 3: Deixe a preguiça de lado e pense.