segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Breve momento

           Geralmente à noite ou enquanto o ônibus avança deixando para trás os elementos da paisagem da cidade, tudo pára e mergulho na imensidão do meu humano e desenvolvido (há controvérsias) pensamento. Risos. Dúvidas. Arrependimento. Vergonha. Surpresa. Mais risos. Raiva. Alívio. Eventualmente, lágrimas. E, por fim, nada. Este último, se manifesta quando o sono ou o destino desejado chegam. Eram só lembranças, minha cara. Lembranças as quais ora apontam os erros, nos castigando, ora os acertos, despertando a vontade de reviver o momento. Recordar é viver e viver é isso.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Resposta a Baltazar*

"George, a tartaruga gigante, tem mais uma chance para acasalar
Nas últimas duas décadas, cientistas falharam na tentativa de acasalar uma tartaruga gigante que vive em Galápagos. Agora, George, como é chamado o macho, terá uma nova chance. [...] George vivia com duas companhias de outra espécie, a Geochelone becki. Elas depositaram ovos por várias vezes - em 2008, 2009 e 2010-, mas nenhum resultou em crias." Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/864051-george-a-tartaruga-gigante-tem-mais-uma-chance-para-acasalar.shtml

     Acabara de chegar da rua e de mais uma tartarugada pela nigth da floresta aparentemente apagada e fria, mas badalada. George, o grande, gostava de sua vida. Vidão por sinal. Saía com os amigos, curtia e nunca chegava em casa, cuja dona era a senhora sua mãe, antes das 3 da madrugada. Pegava todas as gatinhas tartarugas que conseguisse, ah, era "estilo namorador".
     No entanto, como todos os seres vivos, os quais, sabemos, são originados de outros pré-existentes, George tinha uma mãe. Uma senhora pacata e que atribuía ao ex-marido (o qual fora comprar algo e nunca mais voltou) todos os defeitos comportamentais do filho. Lutou por uma simples moradia na floresta e seu crescido George ultimamente só lhe dava dor de cabeça. As mães de algumas fêmeas comentavam no "bairro" inteiro que não queriam suas preciosas "garotinhas" nas mãos do perigoso George.
       Como dito no início, George tinha acabado de chegar de mais um de seus passeios pela madrugada. Cansado, naturalmente, entrou em casa e encontrou sua mãe com os membros e a cabeça fora do casco, o que, àquela hora, não era normal.
       - O que faz acordada, mamãe?
       A senhora, com as pernas cruzadas (tente imaginar) e tom de "já chega", respondeu:
       - Esperava por você, George.
       O gigantão sabia que quando a genitora o chamada de George e não de docinho ou coisa parecida, havia algo errado. Dessa vez, muito errado. Desabou:
       - Eu não aguento mais, George! Você sai com todas as fêmeas possíveis e só me arranja má fama pela floresta.
       - Mas, mãe...
       - Sem mas. Não tente se justificar.
       - Ah, mãe. Eu já sei me cuidar. Não preciso de seus conselhos.
       - É mesmo? Tomara que você nunca encontre uma fêmea de verdade para viver e acasalar. Só assim, você vai dar valor à vida, coisa que você não sabe fazer. Igualzinho ao pai...
        George deu às costas e saiu. Partiu para Galápagos, segundo seus amigos, o paraíso, e nunca mais viu sua mãe. No entanto, até hoje lembra-se do que a velha disse. Mãe é mãe.


* Personagem do teatro de bonecos de João Redondo. Em um dos textos de João (Espetáculo de Zé Relampo, gravado na residência do prof. Deífilo Gurgel, em Natal, no ano de 1987),  Baltazar pergunta: " [...] praga de mãe pega?"

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Amigos: do lado esquerdo do peito ou no orkut?

       Pergunto-me se o sentido de amizade não se perdeu enquanto procurava a janela do orkut. A maioria das pessoas esqueceu o que significa a palavra amizade. Para ser mais exata, os sites de relacionamento roubaram e reformularam um dos conceitos mais sublimes que já existiu. Criaram um novo "sistema" para "manusear" as pessoas enviadas por Deus para suavizar essa árdua batalha de viver: os amigos.
       Todos nós podemos ter os amigos que quisermos de uma maneira rápida e simples. Apertando um botão, você ganha um amigo e apertando outro, você pode demonstrar seu eventual amor para ele. Simples assim! Não é preciso ir muito longe para ter exemplos de pessoas que acreditam tê-los "de ruma". Um símbolo de popularidade e poder. Também não é difícil perceber o quanto a expressão "eu te amo" (dentre outras) se tornou banal, utilizada de um modo tão seco, não mais é saboreada com o devido prazer e deixou de representar o que realmente representa, perdendo assim, seu significado.
       Hoje, conhecer não é mais pré-requisito para que alguém seja considerado um amigo. Uma semana e um depoimento são suficientes. Pessoas que te ergueram quando você caiu naquele dia, são postas no mesmo lugar que aquelas, as quais você conheceu semana passada e que ontem te mandaram um depô.  
       É lamentável, porém inevitável, pensar que os momentos bons e ruins, aqueles que nos fazem mais humanos, estão se perdendo cada vez mais e que, em termos práticos, a quantidade é vencida pela qualidade.

"Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar"
  

"Oi? Eu sou pura cultura e você?"

"Troque o BBB por um livro". É dessa forma que as pessoas (no twitter e no escambau) atualmente estão querendo se mostrar inteligentes, cultas e possíveis merecedoras de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Façam-me o favor! Se há uma coisa que as minhas células cinzentas odeiam fazer é processar informações e comportamentos hipócritas.
A sociedade contemporânea é mesmo cheia de invenções capazes de despertar uma leve revolta. Não me entenda mal, não assisto ao reality da Globo e nem me ocupo em criticar, pois gosto não se discute, se lamenta. O que quero expressar, por meio desse texto, é o meu posicionamento em relação a essa campanha que, como muitas outras, é ridícula. Muitas pessoas sentem a necessidade de aparecer, ou melhor, de parecer o que na verdade, nem de longe, são. Posso apostar que aqueles que aderem à campanha dão, constantemente, “espiadinhas” e, pior, torcem e votam para que um dos participantes ganhe o prêmio. Ora, não cola! 
Se você quer mesmo ser uma pessoa culta, apenas seja. Indivíduos cultos simplesmente desligam a TV e vão ler, não precisam criticar o programa, porque, para eles, é indiferente a existência deste.  Em resumo, eu diria: "Troque o 'papo furado' pela ação."

Pausa para uma tentativa

Sentimentos. Quem há de os explicar? Embora não pareça, sentir já é suficiente. Sejam eles representantes da tempestade ou da calmaria ou da euforia sempre são perfeitamente inexplicáveis, capazes até de enganar, na maioria das vezes, quem tenta os demonstrar. E são tão cruéis, de certa forma, que acometem mesmo aqueles que ainda não aprenderam a senti-los, e, por que não dizer, transmiti-los. Castigam quando são indefinidos e não têm motivo ou quando não devem estar ali, naquele espaço, mas, de tão inexplicáveis que são, estão. Engana-se quem pensa os dominar. Não. Totalmente, não. A capacidade de julgá-los é o diferencial do ser humano. Julgar é subjetivo e, por isso, o sentimento também pode ser. Pode.   

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um dia, vai adiantar?

"A ONU anunciou nesta segunda-feira (24) 2011 como o Ano Internacional das Florestas. O objetivo das Nações Unidas é, claro, chamar a atenção para a preservação ambiental, mas também incentivar a reflexão sobre o uso das florestas e a relação que o homem estabelece com as matas." (YAHOO, 24/01/2011)

É a partir desse fragmento, que resolvo fundamentar minhas opiniões a respeito da temática. Segundo o site Yahoo, a ONU resolvel criar. Inventar. Enfim, temos um Ano Internacional das Florestas, assim como tivemos o Ano Internacional da Biodiversidade (2010), o do planeta Terra (2008)... você, ao menos, sabia disso? Então, o objetivo das Nações Unidas parece viável e realista? Obviamente que não. Se todos desconhecem tais "tentativas", como se pode querer "chamar a atenção [...] incentivar reflexão"? Nada contra essa política, toda e qualquer manifestação em prol do meio ambiental (desconsidere o clichê) é válida, mas não precisamos de mais criações, de teoria. Há fome de mudança. Sabe aquela história de conjugar? Eu mudo, tu mudas, ele muda... Pois é. É isso aí!
O discurso pode parecer clichê e, confesso, detesto falsos moralistas. Mas o que se há de fazer? A grande característica de hoje é o "comodismo". Pelo menos eu tento escrever e expressar a minha discordância para com as formas com as quais estão querendo lutar contra o descaso em relação aos bens naturais. Boa parte da população não vai sequer ter conhecimento do que foi estabelecido para o ano de 2011. 
Ainda não entendo o porquê de uma legislação ambiental se não há fiscalização. De encontros e mais encontros se soluções suficientemente boas não são encontradas. Claro! A situação é cômoda demais para mudanças. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

" (não) Escreveu, não leu, o pau comeu."

Por onde andam os bons hábitos? Inevitavelmente, as boas coisas, de acordo com uma espécie de lei natural, tendem a não serem praticadas porque sempre são maravilhosamente substituídas por outras temporariamente mais sensatas. Os hábitos de ler e escrever, por exemplo, perdem-se em meio ao monte de besteiras que aparecem por aí na internet, televisão etc. De modo geral, todos nós nos limitamos a escrever apenas respostas no msn, tweets (seja lá como se escreve), depoimentos de "eu te amo forever" e não nos preocupamos com desenvolver a parte do cérebro relativa à criatividade, à imaginação!
Por que é tão difícil escrever uma redação? Por que a sociedade só se dá conta de que desenvolveu a escrita às vésperas do vestibular ou outro concurso que, com extrema razão, exige tal habilidade? Momentos "revolts" à parte, está na cara que os adolescentes rebeldes e cheios de si (moderninhos que fabricam inteligência artificial) são, na verdade, menos desenvolvidos intelectualmente (pra não dizer burros) que aqueles ultrapassados, que nem ao menos tinham celulares para marcar um encontro com os amigos. Precisa-se de alguém capaz rechear as jovens cabeças para que estas, não mais, lotem os cursinhos de redação.